COVARDIA

Regina Duarte revolta ex-colegas de emissora após zombar do povo Yanomami

O discurso adotado pela veterana tem sido propagado por apoiadores do ex-chefe do Executivo

Hanna Haika
Repórter

Neste último final de semana, Regina Duarte, ex-secretária de Cultura de Jair Bolsonaro (PL), decidiu atacar o povo indígena Yanomami, ao afirmar que as crianças estão “desamparadas”. “A infância desamparada dos Yanomamis, uma gente criada à base de mandioca, feijão, verduras e peixes, escreveu a atriz na publicação. O discurso adotado pela veterana tem sido propagado por apoiadores do ex-chefe do Executivo, que tentam desacreditar a crise humanitária em Roraima, com casos de mortes por desnutrição.

No entanto, a publicação da ex-atriz global causou revolta em seus ex-colegas de emissora. De imediato, a postagem foi rebatida e repreendida por diversos famosos. A atriz Elisa Lucinda escreveu: “Sua postagem é cruel. Onde de será que foi morar a Regina amorosa que conhecíamos? Que postagem é essa?!”, questionou. O veterano Paulo Betti demonstrou ficar perplexo com a atitude da atriz: “Regina sua atitude é inexplicável! Vc é mãe, avó! Respeite a inteligência de quem lê suas postagens e te seguem! Respeite o povo Yanomami!!!”, pediu.

Deputada eleita para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Marina do MST, também criticou Regina: “Que show de covardia e desinformação!!!“, pontuou. Ângela Vieira também demonstrou sua insatisfação com a publicação da apoiadora assídua de Bolsonaro: “Regina, tenha respeito! O que está acontecendo com os Yanomamis não é um achismo, é um fato lamentável!”, disse. José de Abreu não poupou palavras e detonou a atriz: “Quando eu disse que você não valia nada, me criticaram”, disparou.

O que está acontecendo com o povo Yanomami?

Desnutrição, malária, pneumonia e verminoses, além da violência constante de garimpeiros ilegais ocasionaram uma situação de crise sanitária e humanitária na maior terra indígena do Brasil, onde vivem cerca de 28 mil Yanomami. A desnutrição atinge mais de 50% das crianças, e há um alto número de casos de malária, relacionados à expansão do garimpo. Constatando a gravidade da situação, o governo federal decretou emergência de saúde e convocou voluntários para atuarem no local.

A Terra Indígena Yanomami tem cerca de 9 milhões de hectares e está localizada nos estados do Amazonas e de Roraima, na fronteira com a Venezuela. Vivem nela oito povos, incluindo os Yanomami. Com o avanço de atividades ilegais na região, estima-se que 20 mil garimpeiros também estão no território. Indígenas denunciam a contaminação dos rios devido ao garimpo e os abusos sofridos pelas mulheres e crianças.

Conforme a professora do Departamento de Antropologia da Unicamp Artionka Capiberibe, o que está na raiz dos problemas enfrentados pelos Yanomami é a terra. “Eles têm uma terra indígena demarcada e homologada, mas ela não é uma terra protegida”, diz. Nos anos 1990, relembra, houve a demarcação de terra após invasão de garimpeiros, que foi contida por uma pressão internacional. Durante o governo Bolsonaro, com o desmonte de órgãos de proteção ambiental e dos direitos indígenas, o garimpo avançou ainda mais.

Em 2021, houve a maior expansão da atividade dos últimos 36 anos. Foram 15 mil hectares garimpados, sendo 1.556 na TI Yanomami. A falta de assistência e os ataques armados pelos garimpeiros, conforme apurado pelo Intercept, levou os Yanomami a enviarem 21 pedidos de ajuda ao governo Bolsonaro, que os ignorou. À Organização das Nações Unidas (ONU), o ex-presidente informou que os indígenas estavam sendo atendidos e que haveria uma operação para garantir alimentos e saúde.

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